Silvio Luiz

DEAN MARTIN DE MENTIRA

27 de junho de 2008

Estávamos em Nova York para a cobertura de um jogo amistoso entre Seleção do Mundo e Cosmos – bons tempos quando as emissoras mandavam à gente até para amistosos – no Giant Stadiun. Depois de todos os parancolés antes do jogo com uma absurda sala de refeições, estacionamento para a imprensa – aquilo que os povos civilizados costumam fazer antes dos grandes eventos. De passagem pela nossa cabine de transmissão o professor Julio Mazzei. Morava na cidade há muito tempo levado que foi por Pelé. Conhecia gente de todas as atividades e imitava como ninguém o grande astro do cinema norte americano Dean Martin. Combinei com ele então que durante a transmissão ele entraria no ar imitando o artista e respondendo em inglês a pergunta que ele mesmo fizera e depois traduziria para o português. Não deu outra. Em determinado momento disse que eles estavam ao nosso lado e tudo aconteceu. Chegando ao Brasil o pessoal não acreditava que em uma transmissão de futebol da Record o grande Dean Martin estivera presente.

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UM CACHORRO ME FEZ MAL

6 de junho de 2008

Desta vez estávamos na Olimpíada de Barcelona.

Meu fiel comentarista e amigo Edvar Simões viajava constantemente comigo para a cidade de Badalona, a fim de cobrir as partidas de Vôlei e Basquete.

 

Dia sim dia não, lá íamos nós para a pequena e simpática cidade espanhola distante poucos quilômetros da capital Catalã.

 

Certa manhã depois de ter acordado atrasado e  ter  perdido  o café da manhã, chegando à porta do ginásio fui saborear um cachorro quente, desses que são vendidos em higiênicas carrocinhas.

 

 A falta do desajuno batia, e transmitir um jogo de basquete com o estomago vazio não era o meu forte.

 

Engoli correndo o rápido lanche e fomos para a posição que nos foi determinada no ginasio.

Qual não foi a minha surpresa quando uns cinco minutos após ter se iniciado a transmissão a minha barriga começou a roncar, e tive que sair correndo em direção ao banheiro e o Edvar por alguns minutos tomou conta do microfone.

 Voltei e segui na narração. Só que logo em seguida, outra vez o banheiro me chamava e mais uma vez o Edvar comandava.Gente, esse drama se seguiu durante todo o jogo, perdi a conta de quantas vezes tive que sair correndo. A desinteira só foi passar dois dias depois graças a fortíssimo antibiótico ministrado pelo nosso coordenador Teti Alfonso. 

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QUASE DEU CANA

30 de maio de 2008

Pessoal, volto a 1974 na primeira Copa disputada na Alemanha.

Nós sulamericanos naquela altura do campeonato éramos – e porque não ainda somos – seres subdesenvolvidos e qualquer novidade era uma baita novidade, por exemplo, sex-shop. Teve gente que desembarcou e mesmo no aeroporto correu para ver como é que era, e assitir filme de sacanagem por cinco marcos. Coisa de brasileiro.

  Tudo para nós era novidade. Comprar cigarro de maquina, ver a cidade limpa, ter que chegar na hora, em fim, tudo que hoje em algumas coisas nós já estamos acostumados.

  Certa vez, depois de não sei quantos chopes, uma turma de repórteres resolveu voltar a pé para o hotel bem ao nosso estilo. Lá na modernidade germânica da época, havia em quase toda a esquina uma cabine envidraçada que se o vidro fosse rompido era sinal de que havia a necessidade da presença policial. E não é que um dos nossos brasucas completamente embriagado resolveu fazer a graça. Resultado: em menos de trinta segundos cinco viaturas estavam no local querendo saber o que havia acontecido.

 Como fora apenas uma brincadeira levaram uma tremenda descompostura, alem da lição de que poderiam estar atendendo um outro chamado de maior importância do que ter que aturar brincadeira de bêbados.

 Por pouco não foi todo mundo em cana.

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A PROVA DO CRIME

25 de maio de 2008

Parece que a minha primeira copa na Alemanha em 1974, foi a que mais recordações deixaram, por isso constantemente vem a minha memória fatos que me levam de volta a esse organizadíssimo país. O saudoso Aldemário Toguinhó, brilhante repórter e analista do Jornal do Brasil – era sempre escalado para cobertura da seleção de futebol – estava, portanto também nessa jornada de triste memória para o futebol brasileiro.Chegou, alugou um carro que o ajudava a se movimentar com mais rapidez para a feitura de seu trabalho. Certa noite descançando no saguão do hotel recebeu a visita de um policial. A autoridade queria saber se de fato tinha sido ele que havia ultrapassado um sinal vermelho às três horas da manhã. Como todo bom brasileiro o nosso repórter negava peremptoriamente o fato e que a policia deveria estar enganada. Com que o nosso Oldemário não contava é que o policial educadamente lhe mostrava a foto com a placa do carro alugado em nome dele – como já temos hoje no Brasil – com data, hora e local onde a infração fora cometida. Não restou outra coisa ao Toguinhó meter a mão no bolso e desembolsar os marcos correspondente ao valor da multa.

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A VERGONHA BRASILEIRA

19 de maio de 2008

Voltemos a Alemanha em 1974.
A moeda local era o Marco e a nossa, não me lembro, mas tenho certeza que existiam os centavos.

A turma de jornalistas que havia chegado antes, quando em comunicação com o pessoal que ainda não havia embarcado, pedia que levassem moedas de 50 centavos. As moedas de 5 marcos valiam um bom dinheiro e tinham o mesmo peso e tamanho das nossas de 50 centavos que, além de não valerem quase nada, por certo poderiam quebrar, como quebraram, muitos galhos.

Nunca se viu tanta moeda de 50 centavos na Alemanha como naquela época. Sabem porque? Simplesmente, porque naquela época, se não me falha a memória, a coisa estava mais ou menos uns 7 marcos para 1 dos nossos. Quer dizer, com os nossos 50 a gente lavava a égua.

Só que o pessoal andou abusando.  Certa noite na televisão, o apresentador do mais importante telejornal do país apresentava um saco cheio de moedas de 50 centavos retirados das maquinas para a compra de cigarros e outras facilidades que já existiam na época, mencionando naturalmente o nome do nosso glorioso país, coisa que sem dúvida nos deixou muito envergonhados.

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A BOLINHA GELADA

10 de maio de 2008

Pessoal, não me peçam para lembrar a data, mas faz muito tempo.
Para dar um ar de “honestidade” nos sorteios dos árbitros que naquela época era feita antes dos jogos nos vestiários, a Confederação pedia a presença da imprensa e eu fui a uma dessas.
Jogo da Libertadores, três bolinhas da mesma cor, numeradas de um a três e com o mesmo peso colocadas dentro de um saco. Cada uma delas representava o nome de um dos árbitros que deveria ser o juiz do jogo. A que saísse na mão do representante com o número maior seria do juiz e as outras duas dos “bandeirinhas”. Só que naquela época, alguns árbitros eram os favoritos da Confederação para atuarem a seu gosto. Como então fazer sair o nome de quem deveria “fazer o serviço” sem despertar a atenção de ninguem? Fácil, a bolinha que deveria sair estava gelada e, por conseguinte com uma temperatura diferente das demais. Fácil, não?

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RONCANDO EM NOVA YORK

20 de abril de 2008

Pessoal, essa aconteceu em Nova York. Pedro Luiz – um dos melhores narradores de rádio que conheci – e eu fomos para transmitir pela TV Record uns jogos amistosos entre o Cosmos e a Seleção da FIFA. Na divisão no quarto Pedro ficou com a cama perto da janela. Como todo bom sexagenário o ronco é coisa das mais naturais para quem dorme, mas não para quem está no mesmo quarto. Não dava para dormir. Tinha no dia seguinte a responsabilidade de uma transmissão. Na tentativa de poder reconciliar o sono com o ronco do Pedro, batia com força na cabeceira da cama como se estivessem batendo na porta do quarto. O Lord – apelido do Pedro- pulava da cama e ia atender a porta. Como, claro, não havia ninguém voltava e procurava dormir. E era exatamente nesse tempo que eu procurava pegar no sono para poder descansar para o dia seguinte. E foi assim a noite toda, um deita levanta sem parar, e no dia seguinte os dois com aquela cara de mal dormidos, mas graças na Deus a transmissão deu tudo certo.

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