Silvio Luiz

A ajuda do velho Nicola

2 de dezembro de 2008

Rivelino estava muito irritado na Copa da Argentina porque só havia atuado na primeira partida.

Uma contusão deixara-o fora dos outros jogos. Aquela seria para ela a última Copa e ele queria entrar de qualquer jeito, mas o técnico Claudio Coutinho não o escalava.

rivelino1.jpg Isso fazia com que o Riva não atendesse nem um reporter, nem mesmo o amigo aqui que vos escreve, que depois de receber uma negativa do jogador disse:

- Não? Eu vou falar com o seu pai.

Como eu era muito amigop do “velho Nicola”, telefonei para ele e contei o ocorrido. No dia seguinte procurei o Rivelino outra vez para uma entrevista e ele foi logo dizendo:

 –Você tinha que caguetar pro meu pai que eu não tava falando com ninguem?

E foi assim que consegui uma exclusiva com o meu amigo Bigode.

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Sem gravata não

15 de outubro de 2008

Quando era presidente da FIFA, João Havelange tinha certas atitudes que  chegavam a desconcertar qualquer um, inclusive e principalmente a imprensa. Na Espanha quando da realização da Copa marquei com o seu secretário “Carabina” uma entrevista para a TV Record.  Dia, local e hora devidamente confirmados como sabíamos que ele não gostava de atrasos chegamos alguns minutos antes. Recebidos pelo próprio Presidente que nos mede de cima a baixo e laconicamente pergunta: –“O senhor sabe que vai falar com o Presidente da FIFA, não sabe, pois então trate de se vestir adequadamente.” Estávamos sem gravata e a entrevista teve que ser adiada para outra data.

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Cada um com seu estilo

29 de setembro de 2008

Como árbitro tive a oportunidade de trabalhar com os maiores nomes do apito brasileiro.   Armando Marques, Arnaldo César Coelho, José de Assis Aragão, Dulcidio Boschila, e muitos outros. É verdade que cada um no seu estilo. Mas como a arbitragem é um todo um equipe – e naquele tampo não havia a comunicação entre o trio – um bate papo antes do inicio dos jogos era o máximo que a gente fazia.

 Armando por exemplo era muito exigente no que diz respeito à disciplina. Não tolerava falta de respeito. A instrução para os bandeiras antes dos jogos era: – “Se xingou você, xingou a mim. Pode me chamar que vai pra rua”. Só que muita coisa a gente fingia que não ouvia para não tumultuar a arbitragem. Preferia responder ao xingamento a ter que chamar o Armando. Ia por certo dar confusão.  Já o Arnaldo era mais político. Sempre saltitante e irriquieto gostava de não criar problema. – “Se aparecer na frente sozinho, levanta pra não complicar”. Quer dizer, se um jogador mesmo que não estivesse impedido despontasse na frente da zaga era para assinalar o “impedimento” para evitar reclamação. Aragão e Dulcidio, nem reunião com a gente faziam. Já sabem o que tem que fazer, né. Então boa sorte para nós.    Hoje a comunicação entre os quatro árbitros no meu modo de ver pode em algumas vezes até atrapalhar. Acho que ela só funciona em casos de disciplina, a decisão técnica é a interpretação de cada um.       

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O filhinho de papai

31 de agosto de 2008

Esta foi tambem quando eu apitava.

Um jogo no campo da Portuguesa Santista, em Ulrico Mursa. O time da casa jogava contra o São Bento – não esse de hoje -   De Rossis, exelente jogador da lusa praiana, mas rebelde por ter pai rico e não precisar da bola para viver, fazia gato e sapato da juizada que baixava por lá. Só que comigo era diferente. Apitava alguma coisa quando ele estava com a bola e o garoto seguia na jogada e fazia que não era com ele. Uma, duas, e na terceira depois de apitar, dele ter proseguido na jogada e dito que não havia escutado, me acerquei dele e com toda a força dos pulmões silvei o mais alto que pude o apito quase dentro do ouvido do dito cujo e perguntei em seguida se tinha ouvido. Até o final do jogo não repetiu nem uma vez mais a indisciplina de dizer que não estava ouvindo.

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Nos meus tempos de apito

6 de agosto de 2008

img_silvio_luis_02.jpgSinceramente não me lembro o nome do jogador, mas foi um pedido tão exdruchulo que nunca mais me esqueci.

Foi em um jogo pelo Campeonto Paulista – o ano tambem não me recordo – em Ribeirão Preto, entre o Botafogo e o América.

Lá pela metade do segundo tempo o zagueiro do Botafogo se acercou e fez um peddido: –”Seu Silvio, dá para o senhor me dar um “amarelo”, porque sabado que vem tem jogo e eu sou padrinho de casamento em Presidente Prudente?”. Ele já tinha dois cartões e o terceiro o suspendia por dois jogos. Tá na cara que ele jogou até o fim.

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ENSINANDO O PORTUGUES

27 de julho de 2008

Na Olimpíada de Seul, como sempre, os jornalistas – como todo brasileiro fora do seu país – gosta de bancar o engraçado e se divertir à custa dos outros.

Em Seul o ambiente e a língua eram então muito propícios a qualquer tipo de brincadeira às vezes até de mau gosto.Com o problema da língua a coisa seria muito mais engraçada e divertida.Foram contratados alguns coreanos para servirem de boys, motoristas, etc. A criatividade entrou em ação logo nos primeiros dias, e não me lembro quem da nossa equipe começou a “ensinar” o português para os novos amigos. Por exemplo: quando você encontrar logo cedo um brasileiro cumprimente-o: “bom dia seu filho da puta”. E assim por diante. Claro que na inocência eles obedeciam cegamente as “instruções” dadas por “experientes jornalistas tupiniquins”, e nuca passou pela cabeça deles que importantes senhores da imprensa pudessem fazer aquele tipo de brincadeira.

Logo que nos encontrávamos pela manhã saindo do hotel lá vinha um deles com a frase na ponta da língua na certeza de que estava agradando. 

Tenha certeza que em Pequim a coisa vai ser igualzinha mesmo porque a lingua facilita.

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AULA DE ANATOMIA

15 de julho de 2008

Essa aconteceu na cidade de Cali, na Colômbia, durante uma exibição da Seleção Brasileira.Mario Vianna foi um ex-arbitro de futebol que acabou virando comentarista do assunto como hoje existe o Arnaldo Cesar Coelho, só que ele trabalhava na Rádio Globo do Rio.No elevador do hotel Sheraton parando em um dos andares, entrou um torcedor e ao ver Mario Vianna, vociferou um dos seus chavões prediletos: “ERROU”. Como a pronúncia estava fora do tom, Mario, com o seu vozeirão virou-se para o torcedor: – Não é errou. É errrrrou! – batendo com a mão na garganta: AQUI OLHA FORÇANDO O TÍMPANO!

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